• Nelson Moleiro

"De onde menos se espera sai a lebre"


3 alambiques, 3 valores da Terra!

Antes demais, poucos perceberão este título, mas para o meu núcleo mirense é uma expressão cheia de alma! O inesperado acontece, lanço o blog, quero falar sobre gin, e enviam-me este tesouro. Daí a expressão, "de onde menos se espera sai a lebre". Tens que estar atento, pode surgir de qualquer lado, e pumba saca post. Enfim, somos mirenses, os maiores.

O meu caro amigo Tiago da Noiva, residente do mundo, teve a bela ideia de me recordar que esta pequena vila entre duas serras, tem verdadeiros navegantes na descoberta da destilação, e se estes 3 destilam, ai que destilam! Se quero aprender algo mais de gin é com estas enciclopédias andantes. O Corintias então debita e conhece os pormenores mais rebuscados.

"Ambos os três", criados entre as famílias mais consagradas no mundo do gin mirense, (ahah a Trindade Distillery) lançaram-se na engraçada tertúlia turística de visitar uma das melhores e mais consagradas destilarias da Holanda e do Mundo, a Ketel One, onde é produzida a famosa Ketel One Vodka e o Nolet's Dry Gin. Por acaso nunca visitei uma destilaria deste calibre, algo certamente muito enriquecedor e que está na minha bucket list.

Quero convidar esta malta, e todos vós, a ensinar-me sobre gin e partilhar ideias, porque de uma forma simplista o gin é como o vinho, tem um processo comum de fabrico, mas é na qualidade de destilação, variações, adições, harmonizações e inovações que reside a diferenciação.

O Noiva, um British Mirense adoptado, classy dude, aderiu à moda britânica do Dry Gin e sempre me lembro de o ouvir falar em Nolet's. Como não é fácil encontrar por cá, só o bebi numa ocasião num bar no Algarve. Tratou-se de um Nolet's Silver Dry Gin e adorei! Vai ao encontro de sabores inovadores e entusiasma os apreciadores de gin da nova geração.

Para quem nunca experimentou, é uma verdadeira degustação, pois trata-se de combinação única de botânicos nunca usados anteriormente num gin. Os broados dos Holandeses tiveram a bela ideia de juntar ao destilado notas frescas de rosa turca, pêssego e framboesa, e as minhas papilas gustativas agradecem. É na qualidade e critério da selecção dos botânicos, na posterior maceração e destilação individual, que se consegue dar a este gin todos os sabores e aromas naturais que o tornam tão distinto. Pronto e prontos, aproveito e deixo umas breves luzes para quem quiser saber algo mais. Inté gente...

O Gin

O gin é uma bebida alcoólica de aroma seco e refinado feita à base de uma fruta chamada zimbro e de cereais neutros, que adquiriu um reconhecimento globalizado. Cada marca se destaca por sua combinação única de ingredientes, dos quais as bagas de zimbro são obrigatórios, por lei. Outros ingredientes podem ser utilizados por cada marca para obter características próprias. É aqui que reside a variedade infindável de gins existentes e a surgirem diariamente. Tem teor alcoólico entre 40 e 50 graus, assemelhando-se a outras aguardentes como vodka, whisky ou cachaça. O processo pós-destilação é que confere as características específicas do sabor, do aroma, da textura e da cor. Assim que o gin é destilado, ele sai do alambique com elevado teor alcoólico, e para que se torne bebível, é preciso adicionar água destilada à fórmula na etapa final, deixando a bebida pronta a degustar.

Hoje em 2016, é exaustivo contabilizar as marcas e produtores de gins existentes, e surgem novas técnicas, combinações e áreas geográficas. Contudo, existem na minha opinião 5 segmentações de gin bem estabelecidas:

Gin destilado. É mais precisamente definido como um destilado rectificado. Resulta da redestilação de bagos de zimbro, seguida de aromatização com vários tipos de ervas e plantas, botânicos etc. São a maioria dos gins que bebemos e vemos hoje no novo mercado.

London Dry Gin. O pai dos gins e de receita obrigatória restrictiva. Tem de ser destilado num alambique tradicional e seguir rigorosas regras de execução. Usa álcool neutro da melhor qualidade, os botânicos exclusivamente naturais, e nenhum sabor pode ser adicionado após a destilação, predominando sempre o zimbro. Não apresenta cor, old school stuff.

Plymouth Gin. Gin demarcado, com denominação de origem, o que significa que só pode ser produzido em Plymouth. O que o distingue dos outros gins é que a sua receita utiliza botânicos mais relacionados à terra, ao invés dos botânicos amargos. Método de destilação em alambique de cobre com 150 anos da Black Friars Distillery , e só o master distiller tem autorização de fazer o corte final, comum a todos os premium, seleccionando somente o core do destilado, eliminando assim a presença dos "maus" álcoois, responsáveis pelas ressacas.

Gin Holândes (Genebra). Não é um gin mas uma Genebra. Contudo, trata-se realmente de um gin porque é destilado com zimbro. Confuso não é? A diferença aqui é que ao álcool neutro é adicionado vinho de malte, tal e qual como no whiskey. Os tipos de Genebra distinguem-se pela graduação do vinho de malte usado, e raramente se serve com tónica, mas sim em cocktails.

Old Tom. Este pode ser considerado o avô dos gins. É um elo entre uma Genebra e um London Dry Gin, isto porque é mais seco que uma Genebra mas mais doce que um London Gin. Sofre de adição de açúcar na composição final, mas nas suas origens a doçura já era alcançada somente pela adição de botânicos, como o funcho e alcaçuz.

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