• Nelson Moleiro

Quinta de Arcossó Bastardo 2012


Mais uma pomadinha para as dores! E desta vez o xiripiti que elegemos trazer a este espaço é um lovely bastard, um exemplar tinto de Trás-os-Montes, um Bastardo. Coisinhas diferentes, eu quero é ver e experimentar coisinhas diferentes. Ter um monocasta bastardo é arriscar na diferença e fugir ao óbvio. E foi isto que me fez trazer e abrir este vinho da Quinta de Arcossó, um vinho que já possuía em garrafeira há um par de anos, mas o qual decidi agarrar pelos colarinhos e trazer para o copo. Não sei se está no ponto, se ainda melhoraria com alguns anos em garrafa, aqui entrei num vazio total de conhecimento, mas com muita expectativa e curiosidade. Eu bem sei que o Douro e Trás-os-Montes possuem maravilhosos blends de vinhos tintos, tinta roriz, touriga nacional, touriga franca, tinta amarela por aí fora. Às vezes lá se vai vendo um pouco de bastardo misturado em pequenas proporções, mas o que eu realmente gosto é de experimentar algumas castas em estado singular, e depois imaginar o que poderão contribuir na constituição de um vinho de lote. Ao decidir beber um vinho com estas características não se trata de procurar o melhor vinho, o mais harmonioso e elegante, mas sim saber o que temos, o que podemos contar, e possivelmente o que não valorizamos.

Segundo os entendidos é uma uva de maturação muito precoce, estando pronta a apanhar umas boas semanas antes de todas as outras, que permite obter bagos com alto teor de açúcar, já assim a dar para as passas, cheios de grau, e como resultado...bota aí o alcoolímetro a funcionar nestes vinhos! Desta forma, a definição da altura ideal para a colheita das uvas no seu estado de maturação certo, é essencial para produzir bons vinhos e enaltecer as potencialidades desta casta rústica.

Então vamos lá ao que interessa, à minha experiência com este Quinta de Arcossó Bastardo 2012. A primeira impressão visual é surpreendente, temos um tinto, mas não é opaco, é muito translúcido, pouco carregado na cor, o que para muitos pode ser sinal de nega automática ao vinho ou motivo de discussão, para mim não, quero ver ao que cheira e como me sabe. E é no aroma que me encanta, aromas vigorosos a bagos e frutas silvestres secas, morangos apimentados, a transportar-nos para a terra, para aquelas encostas graníticas onde habitam as vinhas a mais de 300 metros de altura, um aroma terreno, vegetal e autêntico, gosto!

Na boca, a sensação de fruta permanece mas é mais ténue, taninos vigorosos e firmes, intenso, a dar sabor rústico ao conjunto. Diria que se pusesse o meu pai a beber este Quinta de Arcossó Bastardo 2012, ele exclamaria pela certa "este é que é dos bons, é à antiga!". Atenção, tem grau, ao fim de uns copos já dá uma taulada, e para os mais inexperientes no mundo da pinga, meia garrafa já coloca os vossos cérebros num autêntico episódio da Twilight Zone. É um vinho de carácter muito diferente do que habitualmente vemos por aí, amado por uns, certamente detestado por outros. Eu gostei, gosto das ovelhas negras, e prefiro provar um vinho diferente do que centenas de clones.

Venha o próximo, um brinde a todos.

Quinta de Arcossó Bastardo 2012

Castas: 100% Bastardo

Teor Alcoólico: 14,5% Vol

PVP: +/- 8€

#Bastardo #QuintadeArcossó

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