• Nelson Moleiro

Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2015


Bairrada e seus vinhos bairradinos, uma descoberta pessoal em fase de aprendizagem deste terroir tão específico e único nos nossos vinhos. Não tenho nenhum WSET (Wine & Spirit Education Trust) mas também não pretendo virar nenhuma cassete (a.k.a. K7). Isto para dizer que tento escrever para o comum mortal bebedor de uma boa pinga, mas que gosta saber um pouco mais, ou aprofundar e escrutinar aquilo que lhe metem no copo. Esse era eu em tempos, e continuo a sê-lo. Passei a encarar este passatempo como um meio de transmitir algumas noções básicas sobre vinhos em jeito de sugestões, tudo numa linguagem simplista e alegre, capaz de chegar a um público alvo mais abrangente, fugindo ao habitual núcleo fechado. Foi sempre o que notei nas opiniões do vulgo consumidor, que liam as críticas aos vinhos mas depois não conseguiam retirar ou interpretar o conteúdo, como se de uma análise complexa a uma obra de arte se tratasse. Eu percebo essa afirmação fácil do senso comum, mas as pessoas também terão que perceber que existem regras a seguir, ou então isto seria uma balbúrdia. E acreditem que esta malta da enofilia leva tudo muito a peito, eheh.

Mas vamos ao que interessa, vamos transportar este Luís Pato Vinhas Velhas Branco para o copo, na sua recente colheita de 2015. Este território, com a sua influência marítima atlântica aliada a um clima fresco permite obter uvas que empregam excelente acidez aos seus vinhos brancos. A casta Bical é muito famosa nesta região, a par da Maria Gomes, muito usadas na produção de espumantes brancos, muito frescos, e cada vez mais reconhecidos. Neste vinho de mesa classificado como Vinho Regional Beira Atlântico, obtido de vinhas velhas, Luís Pato usou a Bical plantada em solo argilo-calcário e aliou à Cercial e Sercialinho de solo arenoso. O vinho fermentou e estagiou em inox. O meu conhecimento com vinhas velhas é maior nos tintos, e em fraca escala nos brancos, quase nula nestes vinhos da Bairrada. Contudo estava curioso relativo à complexidade e concentração que estas uvas poderiam trazer ao vinho.

O aroma do vinho não é muito acentuado, algo fechado, diria com notas citrinas limonadas no máximo aqui para este nariz de perdigueiro, mas é na boca que surpreende pela sua frescura proeminente, dotado de uma acidez vibrante, algo nervoso nas papilas, seco e duradouro, um bom conjunto repleto de acidez. É óbvio que este é um vinho direccionado para o meu gosto actual, seco, ácido, tenso, sem mel e doçura conventual que agradará a muitos. Obviamente um vinho não consensual numa mesa heterogénea, mas um sacana de um bom vinho e com potencial de evoluir em garrafa! É assim que prefiro os vinhos brancos. Mas calma, eu bebo tudo!

Toca a beber e digam de vossa justiça!

Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2015

Castas: Bical, Cercial e Sercialinho

Teor Alcoólico: 12,5% Vol.

PVP: +/- 10€

#LuísPato #VinhasVelhas #Bairrada

© 2016-2020 Táscuela

 

Leiria, Portugal - tascuela@gmail.com

  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter - Black Circle