• Nelson Moleiro

Marquês de Marialva Baga Reserva 2000 e Morcela Mirense


A Páscoa no que toca a tradições gastronómicas é riquíssima. Aqui para os meus lados, na pacata vila de Mira de Aire, em casa dos meus pais a tradição sempre foi uma Morcela à moda da Mira, e neste caso caseira, feita e confeccionada pelas mãos dos meus pais. Para quem não conhece bem a morcela Mirense, um dia vou explicar tudo muito bem explicadinho com mais calma, mas basicamente consiste em morcela de arroz e carne de porco, cozida e acompanhada de batata cozida, cenoura e couves, tudo bem regado com um bom tintol.

O que gosto particularmente nesta morcela caseira, além do seu valor sentimental inerente, é a sua pureza de sabor, sem demasiados condimentos adicionados, o que já é difícil encontrar, tudo numa proporção q.b., mas onde não são usadas medidas, é tudo a olhómetro de saberes antigos. Desta forma não passamos um dia inteiro a Kompensan!

Quanto ao vinho, aqui as tradições vão mudando consoante a maré, e se começámos a gatinhar com vinhos mais elegantes, trabalhados e polidos para gostos contemporâneos, hoje em dia gosto de fugir ao óbvio e arrisco no improvável, naquilo que não estou seguro e confiante, e se for autóctone ainda melhor. Daí ter ido buscar este monocasta, Marquês de Marialva Baga Reserva 2000, no seu formato magnum, e ver o que ele nos tinha para contar. Sempre ouvi dizer que Baga era sinónimo de bom envelhecimento, e neste exemplar concordo plenamente. Um vinho ainda cheio de vivacidade, que contraria aqueles pressupostos errados sempre que vejo um vinho a dormir por longo período, "se calhar já virou vinagre". Cada vez mais me fascinam os vinhos rústicos, terrenos e autênticos, de que é exemplo este vinho, onde sem dúvida a Baga mostra todo o seu potencial e características.

Depois de aberto e a bufar durante quase uma hora, foi tempo de trazer o material ao copo. De aspecto muito límpido, de cor vermelho carregado a dar para o cereja, onde no nariz predomina a sensação a frutos pretos maduros, mas não exageradamente marcante, algo vegetal e bastante vivo. Na boca, aí sim mostrou que ainda está para as curvas, acidez (grande acidez), bem mesclada na fruta! Às cegas nunca diria estarmos presentes um vinho de 2000, onde sem dúvida me seduzi por esta acidez "verde" aliada a taninos finos e a um bom prolongamento na boca, num conjunto que me agradou imenso.

Conclusão: Excelente vinho, rústico, da terra, do antigamente e sem folclore, e que ainda tem muito tempo em garrafa pela frente. De referir que é um vinho que estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês, americano e português, antes de saltar para a garrafa.

Quanto à harmonização com a morcela Mirense, cumpriu perfeitamente o seu desígnio, tendo agradado a uma mesa bastante heterogénea no que toca a gostos e conhecimentos vínicos. É um vinho muito gastronómico.

Marquês de Marialva Baga Reserva 2000

"Nascida nos solos argilo-calcáricos da Bairrada, depois de rigorosamente seleccionada, foi vinificada a uma temperatura controlada de 18º e 20º C. (com uma maceração prolongada de 18 dias), e 6 meses de estágio em barricas de carvalho, Francês, Americano e Português, a casta Baga ofereceu-nos este vinho monocasta, de qualidade superior.

Apresenta uma cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos maduros, com ligeiras nuances de baunilha, bem como uma boca longa com final a especiarias.

Recomendamos o seu consumo com moderação, acompanhando pratos de carne assada, caça e queijos. Para que o prazer deste vinho seja bem desfrutado, a abertura da garrafa uma hora antes é aconselhada."

Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede

Castas: 90% Baga

Teor Alcoólico: 13% Vol

PVP: desconhecido (Magnum)

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