• Nelson Moleiro

Campolargo Arinto 2015


Branco, branco e mais branco! Ou seja, branco mais branco não há! Vamos a mais um grandioso exemplo deste tipo de vinho em terras nacionais, mais precisamente ao Centro Litoral de Portugal, terras de Anadia, à tradicional Adega de Campolargo. Para quem só conhece ou identifica a Bairrada em termos vínicos pelos seus espumantes está bem enganado, pois daqui saem alguns dos melhores vinhos de mesa do nosso país, sejam tintos ou brancos, vinhos terrenos e de carácter autêntico. Então no que toca aos brancos, ando embevecido, uma verdadeira coqueluche longe dos olhares de massas! Os vinhos Campolargo já são meus conhecidos, conhecimento que aprofundei em 2016 numa visita à Adega acoplada ao turismo de habitação na sua ilustre Casa de Mogofores. Foi aí que fiquei a conhecer este Arinto, que me cativou pela sua acidez expressiva, bem integrada com a madeira do estágio em barricas de carvalho usadas, a conferir alguns sabores e aromas secundários diferenciadores a este vinho.

Por vezes tenho um problema que assola também muitos enófilos (o mesmo que dizer bêbedos de forma mais chique), a velha questão de abrir ou não o vinho! Esta colheita de 2015 está viva e deliciosa, mas também sei que será um grande vinho de guarda dado o seu enorme potencial. Mas que se lixe! A malta quer é vinho no bucho! Sendo assim, lá ficou o Arinto 2013 a hibernar na nossa garrafeira ,e num vulgar dia de semana decidi entregar-me a este Campolargo Arinto 2015.

Campolargo Arinto 2015

É por certo que as ligações emocionais condicionam-nos, e de facto desde que primei de perto com este produtor, fiquei intrínseca e afectivamente ligado aos seus vinhos. Tem ou não influência na minha análise do ponto de vista objectivo? Não faço ideia, nem sequer me preocupa. O que é certo é que considero este vinho dos melhores Arintos que tive oportunidade de provar até hoje, e mesmo ainda jovem, está um grande senhor!

Cor dourada, com aromas intensos, elegância, com notas de frutas citrinas, laranja e toranja por aí, onde a barrica está presente com certas nuances fumadas. Na boca, elevada frescura, acidez a fazer tilt nas papilas gustativas, bom corpo e agradável presença de boca. O solo argilo-calcárico e o micro-clima atlântico da região permitem obter uvas que aportam a acidez e mineralidade correctas. Certamente é um vinho que irá ganhar dimensão com algum envelhecimento, já que a acidez presente tem estofo para aguentar madeira e permitir uma evolução natural e progressiva deste vinho sem perder a frescura. Um vinho extremamente agradável, que batendo nos 10€, rivaliza com grandes vinhos em outro patamar de preço bem mais alto.

Um brinde!

Castas: Arinto

Região: Bairrada

Teor Alcoólico: 11,5% Vol

PVP: +/- 10€

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