• Nelson Moleiro

Hugo Mendes Lisboa Branco 2016


Hugo Mendes, o nome que se tem falado em todo o "quiosque" vínico nos últimos tempos. Enquanto todos dizem mil maravilhas do vinho e do seu criador e verdadeiro obreiro, nunca nos poderemos esquecer que este sacana consegue agitar o mercado, tipicamente tradicional, introduz inovação e torna-se pioneiro a lançar um vinho em Portugal no sistema crowdfunding. Pensou e pôs em prática o que nunca ninguém teve a coragem de fazer. Vendeu a sua ideia e conceito, e nós os patronos, acreditámos na sua visão, crença e saber, permitindo a venda antecipada e angariação de fundos para dar vida ao Lisboa 2016. Teve cojones para apostar em si próprio, colocar todo o seu conhecimento técnico numa aposta pessoal, sempre arriscada, mas muito gratificante. Todos os génios são considerados em primeira mão de loucos, o Hugo Mendes já era e é muito louco, mas conseguiu a cartada genial que lhe permite alcançar o sonho que tanto merece. Toca lá a dar um calduço ao homem que ele fez muito por isso, a pulso.

Todo o mundo já conhece e fala deste vinho, um lote de 50% Fernão Pires e 50% Arinto, não me vou debruçar sobre notas de prova românticas com metáforas à mistura, até porque vou apostar na crença do enólogo e ver o que o vinho nos vai contar com o envelhecimento, e aí já vamos cobrar dele. Contudo já provei, muito fresco, linear, baixo teor alcoólico, bastante suave, muito ao oposto das minhas experiências com Fernão Pires a granel com altos marcadores aromáticos no nariz! A inteligência aliada à experiência, fizeram com que colhesse o Fernão Pires num estádio de maturação mais precoce de forma a "amansar" o vinho no aroma, mantendo a acidez. Depois foi buscar o Arinto, colhido mais tarde, terroir certo, Atlântico, a dar a estrutura e corpo ao vinho, mais mineralidade e algum vegetal. Estou super curioso para saber como vai evoluir nos exemplares que hibernam cá por casa.

Mas acabando as tretas, e deixando estas explicações para os peritos, a palavra que me vem à cabeça é esta: Simplicidade! Um vinho simples, o que me apraz bastante, porque já é antigo o ditado e um verdadeiro clichê, less is more!

Hugo traz lá mais vinhos que a malta quer é mamar bom vinho!

O primeiro contacto com o vinho foi feito na Nazaré, a acompanhar um belo berbigão caseiro.

Lisboa Branco 2016

Hugo Mendes / twawine.com

Castas: Fernão Pires e Arinto

Região: Lisboa

Teor Alcoólico: 11,5% Vol

PVP: 15€ (9€ preço de venda antecipada em crowdfunding)

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