• Nelson Moleiro

Herdade do Rocim Amphora Branco 2015


"Rome wasn't built in a day", é esta expressão que nos elucida que grandes feitos e grandes obras precisam de tempo para serem criadas. O grande Império Romano não nasceu e cresceu em um só dia e certamente o Vinho de Talha também não, uma herança milenar trazida pelos Romanos e que está ligada via cordão umbilical à história e cultura do nosso Alentejo. É lá que reina o vinho de talha português, uma tradição que sempre perdurou nas gentes alentejanas, mantendo-se activa e dinâmica, com muitas produções particulares e caseiras de consumo próprio, mas também presença constante em tascas e restaurantes. A tradição manda abrir as talhas no dia de São Martinho, um evento sempre esperado, muito concorrido, não sobrando normalmente grande vinho para guarda. Desta forma é bastante característico beber este vinho "rústico" novo, numa fase precoce, e até ao natal os alentejanos já emborcaram as talhas todas. O vinho de talha pode ser tinto, branco ou "petroleiro" como lhe apelidam quando é originado de mistura de uva branca e tinta.

O que se tem visto nos últimos tempos é a corrida dos principais produtores de vinhos alentejanos ao vinho de talha, todos começam a incluir a talha no seu portefólio. Certamente a procura do consumidor exigente por produtos singulares e distintos, mesmo sendo um nicho de mercado muito pequeno, levou a que apostassem na talha. Considero que as tradições e aposta na diferença é ponto crucial para nos destacarmos de outros vinhos mundiais, bem mais reconhecidos que o vinho português.

Aconselho a quem estiver interessado aprofundar conhecimentos sobre o vinho da talha. Para isso recomendo a leitura deste texto dos Vinhos do Alentejo (vinhodetalha.vinhosdoalentejo.pt).

Da minha visita à Herdade do Rocim por alturas da Primavera deste ano, vi e ouvi in loco a explicação técnica da elaboração do vinho de talha, a sua produção exclusivamente artesanal, ao qual se juntou a enorme curiosidade em trazer comigo o seu vinho de talha branco, Herdade do Rocim Amphora Branco 2015, o qual agora abri, degustei, e que me permitiu enriquecer o conhecimento pessoal sobre este tipo de vinho alentejano.

Herdade do Rocim Amphora Branco 2015

Castas: Antão Vaz (40%), Perrum (20%), Rabo de Ovelha (20%) e Manteúdo (20%)

Região: Alentejo

Teor Alcoólico: 12% Vol

PVP: +/- 12€

Vou emitir um comentário e opinião exclusivamente pessoal que por si só esclarece o aspecto singular neste vinho branco. De olhos vendados, perante alguma inexperiência, este vinho branco certamente me leva a associá-lo a alguns géneros mais característicos de vinho tinto, tal a complexidade e novidade dos aromas que possui, que só no paladar se desmistifica.

Na amálgama de aromas predomina o carácter vegetal, rústico, com algum componente volátil a lembrar compostos resinosos, a fruta está lá mas com percepção sensorial fora do tradicional, o que nos interroga, inquieta e faz pensar. E isso é fabuloso, adoro. Na boca, novamente aquele aspecto vegetal rústico inerente ao engaço, algum barro, mas que surpreende pela frescura, isso mesmo, frescura, é um vinho realmente fresco, que apetece ir acompanhando de forma subtil com um bom petisco, com tempo e abertura mental para o apreciar verdadeiramente.

Façam como eu, experimentem e digam de vossa justiça!

"Dá-me mais vinho que a vida é nada", Fernando Pessoa

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