• Nelson Moleiro

Quinta Seara d'Ordens Reserva Vinhas Velhas Tinto 2011


No seguimento do tema abordado, trago ao jornaleco um vinho tinto duriense um pouco distinto do que falámos no artigo anterior. Trata-se de um vinho elaborado com uvas provenientes exclusivamente de vinhas velhas, Quinta Seara d'Ordens Reserva Vinhas Velhas Tinto 2011, uma casa com história familiar e secular na produção de vinhos na região do Douro. Da minha tenra experiência nestas andanças, só num passado recente, e com isto digo um ano, tomei contacto directo com vinhos Seara d'Ordens, muito graças a eventos promovidos pela Garrafeira Vip, que activamente vai permitindo aos leirienses um contacto directo com grandes produtores nacionais. Desde então fiquei conhecedor e apreciador dos seus vinhos, Douro DOC e Vinhos do Porto, onde o Tawny 10 anos é referência que coloco num patamar de excelência no segmento. Ainda é, até hoje, o meu Porto Tawny 10 anos de eleição.

Mas falando concretamente deste vinho de mesa, porquê vinhas velhas? Sendo o mais objectivo possível, são vinhos com que tenho tido experiências e surpresas fabulosas, tanto nos tintos como nos brancos, onde reconheço e enalteço o seu valor e potencial qualitativo. Contudo, esta paixão crescente também traz anexados outros factores, um vinho oriundo de vinhas velhas tem uma componente histórica e sentimental impossível de dissociar, aqueles bocados de madeira tortuosos e desengonçados sobreviveram e perduraram décadas e décadas, superando doenças e originando fruto de forma cíclica. Em tempos li algures uma expressão que me fez reflectir, e que realmente traduz a força das vinhas velhas: Elas não são boas porque são velhas. Elas são velhas porque são boas! Uma pessoa idosa não é mais ágil que um jovem a elaborar a tarefa que toda a sua vida executou, poderá até produzir menores quantidades, mas certamente produzirá com mais consistência, replicabilidade e qualidade.

Nas vinhas e no vinho, também podemos fazer esta analogia. As vinhas velhas produzem menos quantidade de fruto, mas com maior qualidade e consistência, bagos menores mas com mais concentração, originando vinhos intensos e equilibrados, de grande carácter, e onde é reflectido todo o virtuosismo do micro-clima e terroir em que se inserem. Então se falarmos em anos bons, das vinhas velhas surgem vinhos memoráveis, os ditos grandes vinhos, epic stuff. Se agora pensarmos no sentido oposto, em anos difíceis com colheitas menos boas, não é habitual vermos alguma percentagem de vinhas velhas adicionadas a blends de vinhas novas quase como um "correctivo" de qualidade? Estas uvas conseguem ter um nível qualitativo mais constante mesmo nos piores anos. Mas isto é a minha visão, sem qualquer conhecimento real dos factos. Defendo até que se deveria uniformizar o que se considera uma vinha velha, de forma a não desvirtuar a coisa, pois tanto vejo rotularem uma vinha de 30 anos como velha, como uma com 80 ou 100 anos. Pelo que tenho ouvido de pessoas que trabalham no sector, julgo que 40 a 50 anos será um número consensual para se classificar uma vinha como vinha velha, principalmente nas tintas, nas brancas já um pouco menos. Até porque o marketing anda agressivo para não dizer criminoso, gostam de estragar tudo. Agora até vinhas velhas vejo em rótulos para cadeias de hipermercado, poupem-me!

Quinta Seara d'Ordens Reserva Vinhas Velhas Tinto 2011

É um tinto complexo e com potencial de envelhecimento, e do que tenho bebido no âmbito de vinhas velhas, gostei muito deste exemplar, com as castas típicas da região (Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca), onde vinhas sábias originaram bagos bem amadurecidos, com mosto concentrado e intenso, reflexo final deste vinho. Fermentação em cuba de inox e estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês novo, mais 12 meses em garrafa antes de comercialização. Vinho de cor rubi, muitos aromas a frutos maduros, sabor aveludado com toque de especiarias, untuoso na boca, com bastante corpo e persistência. Frescura e mineralidade constante na prova, grande vinho e grande colheita de 2011, para durar em guarda. Um grande Douro DOC!

Castas: Vinhas velhas maioritariamente de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca

Região: Douro

Teor Alcoólico: 14% Vol

PVP: +/- 17€

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