• Nelson Moleiro

Framingham Pinot Noir 2008


Hoje voltamos às sugestões vinho/comida tão na berra nos tempos que correm. Não há alma que não fale ou sugira certo e determinado vinho para emparelhar com um prato ou petisco em específico. Muito do boom do interesse no consumo de vinhos advém deste fenómeno, todo o mundo procura o vinho que melhor se adeque à comida, uma maneira de retirar total satisfação da experiência que uma refeição proporciona.

Num País como Portugal em que a maioria dos vinhos tintos são de elevada extracção e concentração, salvo talvez ali a região do Dão, que prima pela elegância dos seus vinhos, por vezes torna-se difícil encontrar tintos mais suaves e elegantes que harmonizem com uma cozinha mais ligeira, carne de aves, massas, alguns peixes e algumas saladas. Nesse registo vem-me à cabeça a uva Pinot Noir, principalmente no seu registo borgonhês premium, se bem que cá em Portugal já temos bons exemplares de Pinot Noir, Cortes de Cima, Aneto e Quinta do Cidrô são excelentes exemplos à cabeça. São, ao meu olhar, vinhos que primam pelo seu grande poder aromático no nariz, bastante complexidade da fruta, a fazer pensar. Depois em boca são muito sedosos e elegantes, fáceis de beber. Com a idade e envelhecimento surgem alguns twists, e foi o caso deste vinho em prova, mas já lá chegaremos. Obviamente o terroir é importantíssimo e diferenciador, experimentem lá ir contra-argumentar com os franceses acerca deste ponto!

A Framingham é um produtor situado na famosa região vinícola de Marlbourough na Nova Zelândia, está nas mãos do grupo Sogrape há quase uma década, uma aposta deste gigante na diversificação do seu negócio a nível mundial, mais um Continente conquistado. Nesta região do Novo Mundo a fama incide sobre os seus brancos, monocastas de Sauvignon Blanc, Gewurztraminer e Riesling, contudo foi um Framingham Pinot Noir de 2008, esquecido na minha garrafeira, que escolhi como parceiro perfeito para degustar uma salada quente de cogumelos. A Nova Zelândia é muito recente no mundo dos vinhos, por exemplo a Framingham plantou as suas primeiras vinhas no início da década de 80, a antítese quando comparando com as videiras centenárias do Velho Continente Europeu. Pinot Noir de excelência é sinónimo de França e obviamente Borgonha, contudo sempre ouvi falar que na Nova Zelândia se produziam alguns exemplares interessantes. Nada melhor que experimentar.

O Prato

Salada quente de cogumelos Portobello (redução em Vinho da Madeira Seco) com noz e queijo Pecorino

Um prato que nem é Verão nem Outono, fica ali no limbo, mas que harmoniza em beleza com este Pinot Noir. Mais uma criação da Sofia (Sophie's Secrets), o lado mais oculto mas sempre presente no Táscuela.

O Vinho

Framingham Pinot Noir 2008

Castas: Pinot Noir

Região: Nova Zelândia (Marlbourough)

Teor Alcoólico: 14% Vol

PVP: +/- 13€ (difícil encontrar)

De cor ténue, pouco concentrado, como é característico da Pinot Noir, mostra-se muito expressivo e limpo no aroma, framboesas, cerejas, ameixa preta. Na boca é muito suculento com uma textura suave, sedosa e sedutora, totalmente linear, taninos muito macios e com uma acidez média muito subtil. Tem fraca percepção alcoólica, mas ele está lá. A sua interpretação global é complexa, pelo menos para mim, muito diferente do que estamos habituados, sendo que no final da prova e passadas umas horas, percepcionei alguma componente especiada no seu sabor e algumas alterações inerentes ao envelhecimento, que poderão indicar ter já ultrapassado o momento óptimo para o seu consumo.

Uma certeza, Pinot Noir é uma casta tinta ideal para harmonizar com pratos mais leves, o que nos permite estender a harmonização do vinho tinto com a comida a um espectro mais alargado.

Boas provas e até breve!

#PinotNoir #Framingham #NovaZelândia #ComidadeConforto #VinhoTinto

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