• Nelson Moleiro

Quinta de Cabriz Four C Branco 2008


Este é um daqueles vinhos que comprei na fase de pirralho. Ah e tal já sou um connoisseur desta treta toda, hora de comprar vinhos de topo. Na altura não esticava muito a corda no budget per capita, este Four C foi uma das excepções. Grande expectativa pelo que lia e ouvia falar da Quinta de Cabriz e dos seus vinhos. Certamente um vinho que me iria fazer brilhar num jantar entre amigos, algo muito exclusivo e garrafa assim pesadota e cheia de estilo, ahah! Sim, todos passamos por isso! O que é certo é que fui deixando o vinho esquecido lá por casa, e fui deixando, e deixando. Em Outubro deste ano, em processo de contemplação da garrafeira, mandei uma biqueirada numa garrafa bem escondida, fui ver, era o Four C Branco 2008. Decidi então pesquisar melhor sobre a sua história, e para meu espanto e surpresa, deparei com pouca transparência na informação, diria mesmo, tudo muito vago e enigmático. O que me causou maior estranheza foi quando li que tinha no seu lote uva Antão Vaz. Antão Vaz no Dão? isto só pode estar mal, pensei eu. Afinal é mesmo isso, no Four C temos quatro castas, Encruzado, Viosinho, Bical e Antão Vaz. Alguém me conseguirá explicar se o uso de Antão Vaz no Dão é caso único?

Quinta de Cabriz Four C Branco 2008

Castas: Encruzado, Viosinho, Bical e Antão Vaz

Região: Dão

Teor Alcoólico: 13,5% Vol

PVP: +/- 30€

Segundo a ficha técnica oficial do produtor, o blend é formado por uvas de Encruzado, Viosinho, Bical e Antão Vaz, cuidadosamente seleccionadas e vinificadas, tendo fermentado em barricas novas de carvalho francês, com bâttonage durante 2 meses, e permaneceu sobre borras finas durante 6 meses. Um vinho que na minha experiência de prova teve dois momentos distintos, mais tímido e pachorrento ao início mas que evoluiu muito positivamente quando apreciado após umas longas horas a respirar.

Com uma cor amarelada bem viva, e alguns tons esverdeados, apresentou-se no imediato com os aromas intensos e persistentes da fruta, contudo, "assustou-me" pela percepção intensa que a madeira trazia, "Eh lá! Vamos roer barrote que nem um castor!". Na boca, acidez média, com marcadores citrinos na fruta, algo floral, muito macio, longo e persistente com um toque vegetal interessante. Contudo, tenho que confessar, ficou por ali a garrafa, alguma sobreposição da madeira deixou-me desiludido. Tínhamos ali um excelente vinho base, grande envelhecimento, mas porra mais à barrica, tirava-lhe alguma frescura!

Hora do jantar, lá fui ressabiado e tímido à garrafa, e que surpresa, o vinho não parecia o mesmo. Um vinho à Benfica, tímido ao início, vencedor no final! Bastante complexidade nos aromas e no palato, sedoso e equilibrado entre a fruta e carácter vegetal, com volume e amplitude de boca necessários. Pelo que experienciei, e sem qualquer base em provas anteriores, especulo ter tido sorte de bebê-lo nesta fase adulta. Largado ali ao "relento" revelou identidade, com a fruta e as nuances florais bem mescladas, e algumas notas secundárias inerentes ao envelhecimento a enriquecerem a degustação, apesar de se tornarem difíceis para mim de identificar. Tremenda persistência em boca que cativa continuar a beber copo após copo. Um grande vinho, a que aponto um pequeno defeito, alguma falta de frescura, um gosto e capricho pessoal.

Cheers

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