• Nelson Moleiro

Herdade das Servas Syrah e Touriga Nacional Tinto 2008


Nas voltas do dia-à-dia, chega uma pessoa a casa após mais um dia de gincana e é presenteada com um apetecível caril de legumes. Começo a pensar, abro o frigorífico e está completamente seco, nem um espumante, nem um rosé, nem branco, oh cum caraças, vou beber leite?! Opto então pela hipótese mais lógica de todas, recorrer à minha insanidade. Se temos comida com especiarias, julgo ter ali uma garrafa com um blend de Syrah e Touriga Nacional já em fase de cuidados paliativos, é mesmo esse que salta para a mesa. Meus caros, é sempre uma boa forma de testar exemplares esquecidos em garrafeira, e no que toca a harmonizações, sejamos francos, é tudo muito subjectivo.

O Syrah no Alentejo tem muita afinidade com o do Novo Mundo (Austrália e Nova Zelândia), e pouco ou nada com o Francês, um clima mais fresco com menor maturação das uvas. Em território nacional, e neste caso, Alentejo, esperam-se sempre vinhos com bastante corpo, altamente concentrados em fruta madura, algumas notas especiadas inerentes à casta, e regra geral, bastante alcoólicos. Neste Herdade das Servas, o Syrah em lote com a Touriga Nacional, faz-me perspectivar talvez um ajuste na sua acidez, estrutura tânica, e aumento da componente vegetal em prova. Tratando-se da colheita de 2008, avaliei então o crescimento e evolução em garrafa ao longo destes anos. Este vinho estagiou em carvalho novo, francês e americano, tendo repousado uns meses em garrafa antes da sua comercialização.

Herdade das Servas Syrah e Touriga Nacional Tinto 2008

Surpreendentemente revelou-se fresco, algum envelhecimento secundário da evolução em garrafa a melhorar e a fazer crescer o vinho, com menos percepção alcoólica volátil nas papilas gustativas a permitirem agradável secura. Apresenta razoável prolongamento de boca, onde as nuances vegetais e florais ganham ligeiro destaque sobre a fruta madura e as notas especiadas do Syrah (ligeira percepção apimentada e notas de cacau). Mostrou ter elegância, já um pouco macio, um vinho que a meu ver terá ganho com tempo em cave, tornando-se mais suave e sedoso, pese embora achar que tenha ultrapassado o seu momento óptimo de consumo em 2 ou 3 anos. Dizer isto faz-me parecer conhecedor, não liguem a estas baboseiras, bebam quando tiverem que beber!

Quanto à harmonização, o vinho respondeu bem perante o prato, quando nem a comida nem o vinho se sobrepõem, julgo termos um resultado positivo.

Castas: Syrah (70%) e Touriga Nacional (30%)

Região: Alentejo

Teor Alcoólico: 14,5% Vol

PVP: +/- 15€

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