• Nelson Moleiro

Alto do Joa Tinto 2014


Diferença, hoje vivemos num mundo onde vinga e reina a diferença. E no que toca ao universo vínico nacional, quando vou procurar vinhos que revelem autenticidade, que se ligam à terra e tradições, tento ser pragmático e percorrer regiões menos conhecidas, menos comerciais. O Dão surge logo à cabeça, a Beira Interior é outro grande exemplo, mas existe uma região que está a caminho de concretizar agradáveis surpresas no futuro, refiro-me a Trás-os-Montes. Já não é a primeira vez que me debruço sobre este aspecto, os vinhos transmontanos têm tudo para ganhar cunho assertivo num futuro a médio prazo. Talvez nestas regiões a pressão de ter que agradar a modas e directrizes seja menor, e daí o privilégio de contactarmos com produção vinícola genuína e autóctone. Não tenho raízes transmontanas, acabo por ter algum conhecimento por intermédio familiar, alguns aspectos culturais e sociais e produtos regionais lá de cima carai! Os vinhos da Casa do Joa chegaram a mim, curiosamente não por este contacto directo familiar, mas pela presença do produtor no Wine Fest do Porto no passado mês de Novembro. Na altura fiquei embevecido pelo branco de curtimenta apresentado no evento. Indo directamente à fonte, decidi não só provar, mas beber para conhecer o tinto da colheita de 2014.

Alto do Joa Tinto 2014

Vinhas centenárias com mais de 20 castas estão na base de um vinho completamente fora do baralho vínico nacional. Ao início estranha-se depois entranha-se. A cor assemelha-se a um palhete, pouca extracção, os aromas deliciosos de fruta vermelha fresca, na boca é leve e fresco, elegante e gastronómico. Gostaria de um pouco menos de álcool, uma menor percepção alcoólica, é a nota menos positiva que retiro desta experiência e que tentaria ajustar de futuro. É um vinho que se assemelha aos tintos da Borgonha, em Portugal parente próximo talvez o Meruge da Lavradores de Feitoria no Douro. Apesar estágio prolongado em barricas de carvalho usado francês, a madeira está muito bem integrada, não se degusta barrote, para além de que o potencial de guarda é tremendo

Adoro a experiência arrojada e o critério, paixão na tradição com um toque de inovação, grande lufada de ar fresco no panorama vínico. A reter, Joa, veio para ficar e claramente a demarcar-se.

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