• Nelson Moleiro

Alfaraz Reserva Branco 2010


Já lá vai o tempo do ditado que dizia "Tinto ou branco? Cheio!". As tendências, exigência de consumidor, e o próprio mercado ditam com clareza que o vinho branco será o vinho de eleição no futuro. E no que toca a este vinho, será que nós portugueses usufruímos da clareza, conhecimento, e isenção necessárias para dizer o que é um bom vinho branco? Dito isto, pergunto que vinhos brancos gostam? Qual o perfil? Ainda recentemente vi por aí malta em êxtase com brancos com aromas de "couve cozida". Sim, tu sabes que me refiro a ti meu caro, ahahah. Essa couve cozida não será sobrematuração das uvas? Ou será que tu tens mais pós que o vinho? Vá tinha de ser.

Fora de brincadeiras, e voltando ao que interessa, todos passamos por fases. Recentemente, no início desta jornada de loucos, comprava muita goma e fruta de caroço, que apelidada de vinho branco, e atribuía-lhes o selo de alta qualidade. Mas já antes de mim as revistas da especialidade o faziam, e fazem, influenciando pobres almas. Vai daí, tenho algumas coisas que tenho deixando guardadas em cave erradamente, muito porque o perfil pessoal mudou, mas também porque são vinhos que vão entrando em decadência com a idade, em declínio. Acreditar fielmente na máxima que todo o vinho envelhecido é bom, quanto mais velho melhor, é um enorme erro.

Alfaraz Reserva Branco 2010

Vejamos este exemplo de um monocasta Antão Vaz do Alentejo, Alfaraz Reserva Branco 2010 da Herdade da Mingorra. Em novo já não deveria ser um ex-líbris de frescura e acidez, muito pela casta e clima quente da planície alentejana. Mas isto são pressupostos injustos, nada como provar, e este nunca o bebi em novo. Mas o que interessa neste caso particular é avaliar o comportamento do vinho após alguns anos em cave, neste caso 7 anos. Com cor amarelo dourado intenso, no nariz fortes aromas de fruta madura, alguma maturação e concentração, a madeira está presente, mas já em segundo plano com os anos em garrafa. Na boca falta nervo, a frescura é inexistente, pouca acidez e muita fruta. Temos fruta, e ainda mais fruta, daquela madurona em calda. Nada a apontar sobre o vinho, ele foi feito para ser bebido no seu devido tempo de vida, com uma identidade própria, e com um público alvo específico.

Um exemplo prático pessoal de que nem tudo é para guardar. E tu, que vinho branco gostas?

Castas: 100% Antão Vaz

Região: Alentejo

Teor Alcoólico: 13% Vol

PVP: +/- 9€

#vinhobranco #AntãoVaz #Alentejo #Alfaraz

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