• Nelson Moleiro

Quinta dos Roques Reserva Tinto 2002


Nesta semana dedico-me a vinhos do longínquo ano de 2002. Nada melhor que iniciar com uma relíquia do extraordinário Dão vinícola, onde são produzidos na minha opinião, grandiosos vinhos, com extracção e concentração moderadas, onde sobressai elegância, subtileza e souplesse! O que alguns apelidariam de outstanding! No panorama vínico nacional, talvez os vinhos mais preparados e com arcabouço de ombrear com grandes nomes lá fora, isto se não formos olhar a modas e tendências.

A Quinta dos Roques, com história secular, fez o seu percurso evolutivo natural, e a certa altura viu na demarcação qualitativa dos seus vinhos um projecto de vida. Os resultados estão à vista, simbiose perfeita entre terroir granítico do micro-clima serrano com técnicas de viticultura e vinificação modernas, sem descurar princípios de autenticidade transmitidos ao longo de gerações. Passando pelas castas, até ao carisma dos vinhos do Dão, existe respeito pela herança. O que é certo é que a consistência qualitativa dos vinhos Quinta dos Roques, tanto nos tintos como nos brancos é indubitável, o que nos permite afirmar que estamos perante uma das grandes casas da região, um ícone regional e nacional. E no que toca a grandes vinhos, a eterna questão para jackpot, habitualmente sem resposta objectiva e concreta, sempre com a subjectividade que torna o mundo dos vinhos tão interessante: Qual será o melhor momento de um grande vinho? Na sua evolução em garrafa, com altos e baixos, qual será a hora certa para abrir e degustá-lo no seu verdadeiro auge, aquela epopeia que todos procuramos? Esta é a pergunta para um milhão. Cá para mim, nada melhor que a experimentação pessoal e sua subsequente análise, ainda que subjectiva e condicionada.

Quinta dos Roques Reserva Tinto 2002

Já o disse quando abri este Quinta dos Roques Reserva TInto 2002 há umas semanas. Relembrando, aplico exactamente as mesmas palavras: “Aquele momento em que soltas um sorriso quando te apercebes que vais beber o vinho num grande momento da sua vida”. Esta frase traduz de forma simples e esclarecedora a minha experiência com este vinho, passados 16 anos da sua colheita. Evitando algumas mariquices exaustivas das notas de prova, temos um aroma cativante a fruta limpa, ainda viva, sem desenvolvimento ou percepção de aromas terciários inerentes ao envelhecimento. Na boca, bastante aberto, sedoso, mantém uma acidez e frescura estonteantes, onde o tanino, elegante e já mais redondinho, consegue deixar a sua marca colgate na gengiva. Muito agradado por este Roques ainda incutir alguma adstringência e carácter vegetal. A madeira já era, completamente integrada e abafada por este vinhão. Foi decantado e mamado num ápice. Soube-me muito bem, a vinho, não me apeteceu desperdiçá-lo com avaliações futuras.

Grande vinho carai!

Castas: Desconheço (mas certamente as típicas Touriga Nacional, Jaen e Alfrocheiro)

Região: Dão

Teor Alcoólico: 13% Vol

PVP: 18€ (em tempos)

#Dão #QuintadosRoques #VinhoTinto #VinhoVelho

© 2016-2020 Táscuela

 

Leiria, Portugal - tascuela@gmail.com

  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter - Black Circle