• Nelson Moleiro

Quinta do Carvalhão Torto Jaen e Alfrocheiro Tinto 2005


Quando falamos de tradição e respeito às heranças no que toca a vinhos, algumas regiões e produtores surgem à cabeça e destacam-se. A Quinta do Carvalhão Torto é um dos produtores históricos do Dão, que usa castas de uvas típicas regionais, a solo e em lotes, com fermentações e estágios tradicionais, filosofia unoaked, de forma a alvejar a obtenção de vinhos que primem pela elegância, com ADN de longevidade e complexidade, onde perpetue a frescura mesmo com longos anos de guarda. Conseguimos provar após uma década, ou mesmos mais, vinhos genuínos que nos sabem a vinho. E eu sou daqueles que defende o estigma do Dão Clássico como elemento diferenciador perante o universo vínico nacional. São estes pressupostos de produção de vinhos com perfil clássico que permitem colocar as melhores referências desta região (historicamente menosprezada) em altos patamares qualitativos, ímpares e singulares.

Quinta do Carvalhão Torto Jaen e Alfrocheiro Tinto 2005

Quantos vinhos com esta idade conseguirão manter esta elegância, frescura e consistência? E se acima de tudo falamos de um vinho que custa 6 ou 7€? Quantos? Pouquíssimos. Um vinho que em pleno ano de 2018 me oferece pleno prazer em bebê-lo, sim beber, e não provar. Aroma ainda bem vincado e jovial da fruta, algum pinhal. Carácter vinoso e terroso em boca, complexidade da fruta vermelha quanto baste aliada a uma mineralidade granítica que lhe confere boa estrutura. Tanino sedoso, a permitir um excelente prolongamento de boca. Considero, na esfera pessoal, um vinho muito gastronómico.

Penso, ou melhor, afirmo, que qualquer pessoa que pretenda identificar-se e apaixonar-se com a região vinícola do Dão, tem o dever e obrigação de provar um vinho como este, com estas características. O Quinta do Carvalhão Torto Jaen e Alfrocheiro Tinto 2005 é um marco da genuinidade e expressão plena de terroir. Por mais descritores e palavras bonitas que se possam arranjar e dizer, este é um vinho portentoso que permite concluir que afinal é possível produzirmos grandes vinhos em Portugal. Basta seguir e respeitar a nossa génese e herança, castas autóctones meus caros, Jaen e Alfrocheiro, produção e vinificação sem maquilhagem e internacionalismos. Nós queremos vinho a saber a Portugal, e o Dão é do mais tuga que podemos ter.

Tenho um grande problema de momento com este vinho, onde vou arranjar mais???

Castas: Jaen e Alfrocheiro

Região: Dão

Teor Alcoólico: 12,5% Vol

PVP: +/- 7€

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