• Nelson Moleiro

Hugo Mendes Lisboa Branco 2017 versus um ano de Hugo Mendes Lisboa Branco 2016


Passado um ano voltamos a avaliar o vinho de autor do mestre zurrapeiro Hugo Mendes. Na altura do lançamento do HM 2016, depois de o provar e em linha com a ideia e palavras do enólogo/produtor, disse e escrevi que era um vinho que gostaria de ver com mais tempo, perspectivava um crescimento e melhoria naquele vinho. E de facto este HM 2016 está mais sério, mantém o nariz contido, ligeiro floral, na boca ganhou mais estrutura, limpo, a manter a acidez, mineralidade e secura que o caracterizavam, onde o binómio fruta e corpo estão numa zona de perfeito equilíbrio. Acho que está numa fase que lhe atribuo muitas virtudes do ponto de vista gastronómico, com algum carácter vegetal, está numa excelente forma para ser bebido e devidamente harmonizado à mesa. Salvem-se as garrafas! O HM 2017, por sua vez, bebi recentemente pela primeira vez. Ao primeiro sinal nota-se ser um vinho mais floral e com mais impacto no nariz, mais aberto, o estágio trouxe-lhe mais complexidade e também alguma unanimidade em todos os prismas. A par do que disse há um ano relativamente ao 2016 necessita de tempo para crescer e explanar toda a sua potencialidade, contudo é um vinho que considero estar mais pronto a ser bebido na sua idade jovem.

À data actual e em termos comparativos, coloco o 2016 num patamar superior, mais apto, quando comparado com a sua jovialidade em Agosto passado. Considero estar numa excelente fase para beber, e mantenho enorme curiosidade de continuar a vê-lo crescer e evoluir. Voltarei à chucha daqui a uns meses. O Lisboa 2017, na minha modesta opinião, julgo ser um vinho base com mais estrutura, onde o estágio em inox aliado à fermentação parcial do lote em barrica, originam um vinho um pouco mais maduro, mas fresco, mantendo-se sereno e com a acidez do Arinto bem presente, diria mesmo intocável. Aqueles que apontam o dedo ao Fernão Pires pela sua habitual exuberância aromática, sugeria que provassem hoje o Lisboa 2016 e depois tentassem imaginar como estará o 2017 daqui a uns tempos. O vinho oriundo da colheita de 2017 tem um potencial inegável para se tornar bem melhor que o seu antecessor.

Os meus parabéns mestre zurrapeiro!

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