• Nelson Moleiro

Head Rock Alvarinho e Gouveio Branco 2016


Tenho enorme respeito pelos produtores e pessoas que trabalham directamente na produção de vinho em Portugal. Contudo, aquela velha máxima, "consegue-se fazer bom vinho em qualquer lugar", já não me cai assim tão bem, causa-me alguma comichão. Quando se vai transitando da fase de inexperiência para a fase de evolução pessoal em termos vínicos, ainda menos sentido tem esta afirmação, a meu ver claro! Portugal sempre se colou à alquimia enológica, um grande alquimista chega a qualquer lado e consegue fazer magia, fazer um grande vinho! Foram décadas com esta filosofia. E temos autenticidade? Seriedade e ética? Genuidade? Quando se vai evoluindo e adquirindo experiência, e com isto refiro-me a provar muito, estes artificialismos começam a ser mais facilmente identificáveis, e então surge a banalidade dos vinhos, meras repetições standard com um look diferente, o rótulo! E nós enófilos, os antigos bêbedos, o que procuramos? Queremos um vinho sério e autêntico, que regra geral são os mais simples. Bom terroir, boa viticultura com cuidados permanentes na vinha, uma dose de sorte e voilá conseguimos boas uvas e consequentemente bom vinho. Grandes brancos nacionais para mim nascem no Dão, nos sopés da Serra da Estrela, na Bairrada e também no Douro Superior e Trás-os-Montes. Precisamos de altitude e frescura. É uma afirmação generalista, que alguns poderão achar injusta, mas regra geral é assim, pelo menos na minha opinião.

Head Rock Alvarinho e Gouveio Branco 2016

Este Head Rock é um vinho transmontano oriundo de vinhas a 700 metros de altitude em maravilhoso solo granítico, ali na fronteira com a sub-região demarcada do Douro Superior. O que esperamos à priori ao provar este vinho? Frescura, mineralidade e boa acidez, tudo em harmonia e equilíbrio com a fruta dando lugar a um vinho com alto potencial gastronómico. Está brutal o vinho, o irreverente enólogo Pedro Pimentel está de parabéns! Grande mineralidade, apresenta-se num excelente momento com nariz contido, nada de exageros, boca fresca, limpa e cremosa com secura salivante a puxar por comida. Milagres do granito! Um Alvarinho com Gouveio que foge à praga dos cestos de fruta pachorrentos, sem doçuras e com grande final de boca. É rico e sério, onde encontramos tudo, fora da onda e moda do frutado mas com lima, papaia, aquele lado exótico, mas tudo muito contido e autêntico. Head Rock é um vinho cheio de Rock’n Roll!

Castas: Alvarinho (75%) e Gouveio (25%)

Região: Trás-Os-Montes

Teor Alcoólico: 12,5% Vol

PVP: +/- 8,50€

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