• Nelson Moleiro

Alsácia o berço do Riesling


No que toca aos vinhos, na esfera da partilha de experiências, a análise é muitas das vezes redutora. Na maioria das situações, uma garrafa, um copo, uma nota de prova do vinho degustado, tudo demasiado simples e ilusório. Já para não falar da impessoalidade das provas em eventos, com dezenas ou centenas de vinhos em prova. Muitos críticos e bloggers acabam por fazê-lo, eu não concordo, ou dizendo melhor, não procuro essa abordagem mundana. Os eventos servem a meu ver, para conhecer o perfil de produtores e segmentar devidamente algumas compras pessoais e tendências de mercado.

Vinho é também terroir, origem e o contexto sócio-cultural que o envolve. Por isso é que tanto em Portugal como no estrangeiro, a visita in loco aos locais e regiões vinícolas são actividades que considero fundamentais e essenciais na percepção global do mundo dos vinhos, das características, riqueza, e mesmo identidade e autenticidade de certos estilos. No passado mês de Maio o destino foi a Alsácia em França, que a par de Mosel na Alemanha, são os terroirs dos grandes e autênticos vinhos Riesling do Velho Mundo, com perfis bastante distintos do Riesling do Novo Mundo, na Nova Zelândia, Austrália, África do Sul ou América. Quando se compara Alsácia com Mosel surge uma eterna discussão, diria daquelas semelhantes à que tive este Verão, em que se debatia se o berbigão deveria ser servido à Bolhão Pato ou à Espanhola, com bastante cebola e uma bela tomatada. Como se existissem dúvidas que a versão com tomate é a melhor! Piços!

Antes de avançarmos convém elucidar uns breves pontos. Na Alsácia a uva Riesling é rainha, mas a Gewurztraminer também é largamente usada e apreciada na região, e em menor escala Pinot Gris e Pinot Blanc. Nos tintos a Pinot Noir é praticamente exclusiva. Depois, os vinhos brancos possuem diferentes níveis de açúcares residuais, onde os mais doces acabam por ser os mais apreciados, mais reconhecidos e também mais caros. Pessoalmente, advindo do meu perfil vínico, aprecio o Riesling mais seco, que ainda assim possui uma certa doçura residual, que é completamente compensada e ultrapassada pela tremenda acidez e mineralidade que os vinhos apresentam. Esta tour Alsaciana conciliou férias, turismo e vinhos, e o quartel general sediado em Molsheim, pequena vila a sul de Estrasburgo onde se inicia a zona demarcada da Rota dos Vinhos da Alsácia. Todas as visitas e respectivo percurso enoturístico foi estendido a sul, mas já ai vamos.

Molsheim, Obernai, Epfig, Bergheim, Ribeauvillé, Riquewihr, Turckheim, Wettolsheim, Kayserberg, Colmar, Éguisheim, uma verdadeira maratona no sentido Norte/Sul, com visitas e degustações em Caves, provas gastronómicas, enriquecimento cultural, histórico e turístico pelo meio. Esta é uma região onde a Natureza e a transformação paisagística pela mão do Homem encontram uma simbiose perfeita. Um local lindo e sensacional, merecedor de visita sempre que me for permitido.

Seria demasiado exaustivo descrever todos os vignerons que visitei, todos os vinhos que provei, vou-me cingir a três grandes nomes que me marcaram, Domaine Ostertag, Domaine Albert Mann e Domaine Marcel Deiss. Pura classe na recepção dos visitantes, num ambiente sereno, familiar e descomprometido, por vezes numa simples garagem ou arrecadação! Oferta e mostra de todas as valências do terroir e gamas de vinhos, sempre procurando enquadrar a oferta com o perfil do consumidor na prova.

Domaine Ostertag

Domaine Marcel Deiss

Domaine Albert Mann

No futuro verão passar por este "balcão" diversos vinhos e conhecimentos que adquiri por lá, uma experiência única que me enriqueceu verdadeiramente. Existem diversas opções para viajar para a região por via aérea. A mais funcional e prática é voar directamente para Estrasburgo, mas nem sempre estão disponíveis voos de Portugal para o Aeroporto de Entzheim. Existe depois a alternativa via Frankfurt, a opção que acabei por tomar, com a Lufhtansa a efectuar o transfer para Estrasburgo via autocarro. A outra hipótese é viajar para Basileia (Aeroporto de Basel-Mulhouse-Freiburg) e aí alugar carro ou apanhar comboio. O que verdadeiramente interessa é ir, ou dizendo melhor, decidir ir, o espírito de viajante acaba por solucionar todas as condicionantes.

Como bónus e complemento à maravilhosa semana de enoturismo na Alsácia, uma visita a amigos em Audincourt, uma excelente tarde de convívio com almoçarada e degustação de vinhos e iguarias locais. Um enorme obrigado pela hospitalidade e amizade, Yvonne e Jean-Loup!

No final deixo uma pequena galeria de fotos de alguns vinhos degustados, gastronomia, paisagens, e locais visitados. Alsácia, um paraíso do Velho Continente, cheers!

Galeria de Fotos

#Alsácia #Estrasburgo #Riesling #PinotNoir #PinotGris #PinotBlanc #enoturismo #Gewurztraminer

© 2016-2020 Táscuela

 

Leiria, Portugal - tascuela@gmail.com

  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter - Black Circle