• Nelson Moleiro

Sebastien Riffault Sancerre Saulétas 2010


Sebastien Riffault é um nome famoso no Vale do Loire, e produz vinhos naturais muito distintos do habitual e fora da caixa. Os seus Sauvignon Blanc de Sancerre são únicos, e dignos de prova para qualquer enófilo sedento de contactar com algo único e distinto. Numa visita em Outubro passado a Paris, visitei a Cave de Papilles, a garrafeira de eleição no que toca a vinhos naturais, onde adquiri este Sebastien Riffault Sancerre Saulétas 2010, excelente oportunidade e ocasião para provar um grande exemplar.

Os vinhos naturais vinificados completamente sem sulfuroso são mais susceptíveis à oxidação, por isso períodos muito curtos em condições não ideais podem alterar significativamente estes vinhos. Este vinho não está só em bom estado, mas também mostra a notável intensidade sem qualquer carácter oxidativo que o deprecie. O carácter único trazido pela botrytis e o envelhecimento em barrica adicionaram-lhe uns apontamentos funky e freak. São vinhos que não são feitos para durarem muito em garrafeira, mas com base no que provei, desmistifiquei certos preconceitos instituídos. Vinhos que impressionam e que são definitivamente únicos.

Sebastien Riffault Sancerre Saulétas 2010

Castas: Sauvignon Blanc

Região: Sancerre, Vale do Loire (França)

Teor Alcoólico: 13% Vol

PVP: +/- 28€

Cor amarela dourada turva, sente-se ao imediato um vinho com alma e identidade própria, grande contacto pelicular a transmitir o potencial em bruto da casta, e a mineralidade do terroir. Fruta com elevado grau de maturação, mas não exacerbada no nariz, aroma muito intenso e cheio de personalidade, mel, alguma mineralidade, um pouco de carácter botrytis tostado (ligeiro fruto seco como amêndoa e flor de laranjeira) e nuances cítricas. Tem uma ligeira componente de acidez volátil, mas em boca está bem suportado pela acidez, a dar uma grande dimensão, secura e prolongamento. Botrytis ligeiro que lhe dá uma complexidade extra da podridão nobre, sem exageros. Apesar de seu grande corpo e concentração, o vinho é extraordinariamente estruturado e fresco. Uvas de Sauvignon Blanc colhidas tardiamente, muito baixa produção, cerca de 2000 litros/hectare de vinha, das quais aproximadamente 50% contraíram botrytis. O vinho é envelhecido por 36 meses em barricas de carvalho velho e permanece mais 12 meses em garrafas antes do lançamento. Não é filtrado nem se emprega sulfuroso em qualquer ponto. Cheers!

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