• Nelson Moleiro

Enóphilo Wine Fest Coimbra 2019


Decorreu no passado sábado, dia 8 de Junho, no Convento de São Francisco em Coimbra, a segunda edição do Enóphilo Wine Fest nesta cidade. Realizando-se num fim-de-semana prolongado, com muitas famílias a fazerem umas mini-férias, foi uma aposta arriscada, mas uma vez mais, o Enóphilo mostrou-se sólido na região Centro. Com cerca de 30 produtores nacionais, permitiu uma degustação vasta e variada todos a os enófilos presentes, com vinhos dos vários cantos do Continente e até das Ilhas (Açores). A par da feira generalista propriamente dita, decorreram três provas especiais. Participei na prova de Vinhos nascidos no Mar, e Douro e as suas castas. Estas provas, únicas e muito raras, são sempre algo que capta o interesse de enófilos mais atentos, e para ser sincero, é uma das mais valias que reconheço na marca Enóphilo e nos seus eventos propriamente ditos. A par disso, a presença de pequenos e médios produtores, que num ambiente mais intimista e sem serem abafados pelas grandes marcas, conseguem chegar aos consumidores reais, mostrar o seu produto e potencial, que noutras ocasiões e em particular nos eventos de magnitude superior, se torna mais difícil tanto para eles, como para nós consumidores.

Não vou ser exaustivo em descrições, apenas mencionar alguns produtores e vinhos que aos meus olhos se destacaram e que tive oportunidade e tempo de provar, uns pela novidade pessoal e qualidade evidenciada, outros já com créditos firmados, que apresentaram novas colheitas e referências de destaque.

Família Hehn Titan of Douro Quinta de Pancas Terras de Mogadouro Quinta da Costa do Pinhão

Vinhos nascidos no Mar - Azores Wine Company

Arinto dos Açores 2018 Ainda muito fresco no nariz, salinidade, mineral, com volume de boca e acidez, altamente gastronómico, com algum volume e presença de boca, garantindo prolongamento e que certamente crescerá e engrandecerá com tempo de garrafa. Arinto dos Açores Sur Lies 2018 Mais presença em boca, mais volume, quase com aquela percepção como se tivesse tido algum estágio de barrica, nariz muito salino e iodado. Verdelho O Original 2018 Nariz discreto, muito vegetal em boca, com muita secura, é um vinho que primeiro se estranha mas depois entranha, um dos meus favoritos, que necessita de tempo para ser entendido e devidamente compreendido, e que para quem gosta de enogastronomia, um vinho branco desafiante. Terrantez do Pico 2018 Mais volume em boca, com um ténue toque de doçura. Nariz característico iodado, vinho único e de carácter exclusivo insular. Rosé Vulcânico 2018 Vinhas velhas com castas como Syrah e Merlot, Saborinho e Agronómica. Uma vez mais a salinidade em evidência, bem fresco, fruta fresca ténue sem exacerbação, pronunciado carácter vulcânico, leve de cor, sem grande extracção, muito gastronómico.

Tinto Vulcânico 2017

Também proveniente de vinhas velhas, é um vinho tinto muito diferente do que encontramos em solo Continental, sem grande concentração de cor, pouco extraído, com aromas de fruto vermelho maduro mesclado com notas iodadas e sal, dando-lhe forte presença de boca, salivante.

Douro e as suas castas - ViniLourenço

Apesar de não ser grande conhecedor dos vinhos deste produtor, nem acompanhar muito o panorama dos vinhos do Douro no passado recente, achei muito interessante participar nesta mostra, ainda mais tratando-se de vinhos da sub-região do Douro Superior, em altitude, e um projecto que procura explorar e caracterizar vinhos monocastas de castas autóctones durienses, usadas maioritariamente em vinhos de lote, e muitas vezes desconhecidas do público em geral.

A primeira parte da prova consistiu em provar vinhos brancos sem madeira da colheita de 2017, um Rabigato, um Viosinho, um Donzelinho e um Samarrinho. Destaco o Rabigato, pelo seu nariz intenso e cheio de frescura, com um kick de acidez em boca, e o Viosinho, com mais volume de boca, mais presença, nariz com alguma fruta e floral, sendo mais profundo que os outros. Os outros monocastas gostaria de vê-los com atenção no futuro com mais colheitas, evolução de garrafa, mas felicito a aposta de risco na diferença e herança cultural.

A segunda parte da prova foi dedicada a tintos, Tinto Cão Reserva 2014, Touriga Nacional 2015, Tinta Roriz 2015 e Sousão 2015. Destaco o Tinta Roriz, que apesar de ser um vinho com mais concentração (apesar da cota alta de altitude), fornece tanino, adstringência, com identidade e pujança.

Em suma, foi uma tarde enófila muito bem passada, e não posso deixar de agradecer à organização, e em especial ao Luís Gradíssimo, por insistirem em apostar na região Centro, descentralizando esta tipologia de evento, mesmo com as dificuldades e resistências de todo esse processo organizativo.

Que venha o próximo Enóphilo de Coimbra, parabéns!

#WineFest #AzoresWineCompany #DonaGraça

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