• Nelson Moleiro

Táganan Tinto 2017


Os vinhos oriundos das Ilhas Canárias vieram para ficar, tudo graças a produtores que idealizaram um conceito de respeito pelo micro-terroir local, aliado a vinhos de fácil trato, prazenteiros e de alto valor enogastronómico. Qualquer enófilo que não contactou, ou ouviu falar dos vinhos insulares da Envinate ou da Bodega Suertes del Marqués, anda arredado das tendências de consumo actuais e viradas para um futuro muito próximo, vinhos com pouca intervenção, sem adição de químicos, com pouca extracção e de baixo teor alcoólico, feitos para serem bebidos até 4 a 5 anos máximo, com perfil jovem, vinosos, gulosos, de beber sem parar, já que são salivantes, tanto os brancos como os tintos. Hoje refiro-me à nova colheita de Táganan, o Táganan Tinto 2017. Taganana é o nome da zona vitivinícola no Noroeste de Tenerife onde estão localizadas as vinhas velhas que dão lugar a este Táganan. São vinhas muito velhas, indígenas, enraizadas em plena rocha vulcânica, respeitando a flora e terroir circundantes, num microambiente selvagem. Como grande parte dessas vinhas estão localizadas em encostas viradas para o Atlântico (mesmo ali a um pé de distância), tanto a agricultura como vindima são feitas com recurso à mão-de-obra humana e força animal.

Táganan Tinto 2017

Vinhas com idades compreendidas entre 50 e 150 anos com uvas de Listán Negro, Listán Gacho, Tintilla, Baboso, Vijariego Negro, Negramol, Moscatel Negra, entre outras. As uvas fermentam em tanques de cimento com 30% de cacho inteiro, ou seja usam engaço. Posteriormente o vinho é decantado para barricas de 500 e 228 litros onde estagia por 11 meses.

O aroma evidencia fruto vermelho fresco, alguma nota de cinza e pedra vulcânica molhada, com nuances de especiarias pelo meio, alguma complexidade, que vamos aferindo à medida que o vinho abre e evolui no copo. Com cor pouco carregada, na boca mostra elegância, textura e fortíssima salinidade, que lhe dá um prolongamento de boca muito engraçado, convidando o provador a voltar a beber. Na boca, fruta vermelha limpa e madura a sobressair, em boa harmonia com o vegetal e herbáceo, equilíbrio. Para os "picuinhas" anti-terroir vulcânico e enopiços, tenham calma, aqui não há enxofre exacerbado no vinho, ele tem sim, um surpreendente carácter salino que nos deixa água na boca.

Agora resta ver como se comportam estes vinhos com uns anos, lá voltaremos.

Castas: Listán Negro, Listán Gacho, Tintilla, Baboso, Vijariego Negro, Negramol, Moscatel Negra, entre outras

Região: Ilhas Canárias, Tenerife

Teor Alcoólico: 12% Vol

PVP: +/- 18€

#Espanha #Envinate #IlhasCanárias #VinhoTinto

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