• Nelson Moleiro

Casa da Passarella O Oénologo Vinhas Velhas 2011

Updated: Jan 7


Casa da Passarella O Oénologo Vinhas Velhas 2011

Falar da Casa da Passarella torna-se tarefa repetitiva, casa com história no Dão e um produtor que renasceu das cinzas, tem vindo a ganhar reconhecimento sucessivo pelos vinhos produzidos na última década. Do portefólio de vinhos existente, a gama Oénologo, Vinhas Velhas tinto e Encruzado, oferece aos meus olhos a melhor relação preço-qualidade. Isto gere sempre discórdia e debate de dentes cerrados entre enófilos, mas sou eu a dizê-lo, reflecte a minha opinião pessoal sobre o universo Casa da Passarella.


Nariz com fruto vermelho maduro, intenso, algum vegetal e floral. Boca equilibrada com um certo herbáceo, que associo ao Alfrocheiro, talvez palpite baseado em alguns vinhos que vou bebendo no seio de um relativo desconhecimento. Mineralidade vigente que lhe confere mais secura em boca, sem fruta chata, de tanino fino e alguma elegância, muito amplo e longo em boca. O álcool já é menos perceptível, apesar da complexidade e alguma densidade apresenta-se harmonioso, de excelente comportamento à mesa, mantendo-se sempre vivo em diferentes momentos de prova. Espelha o que é o Dão, a essência e potencial de vinhos de recorte que a região pode e deverá oferecer. É um vinho muito bem pensado e bem feito, e que contrariou os pressupostos pessoais que tinha nestes vinhos, uma vez que apostava e julgava que não conseguiriam vencer a batalha do tempo em cave.


Deixo um pequeno texto retirado do contra-rótulo da garrafa:


"Na cerimónia de entrega do Prémio Nobel de Enologia a Hellis Montaigne, foi um tal de André Huppert quem compareceu diante dos microfones e da incredulidade de milhões. O seu discurso começou e acabou assim: “Majestades, senhoras e senhores, mundo do vinho. Antes de mais, quero confessar que é um privilégio estar aqui na vez do meu irmão Hellis, um homem justo, metódico e muito inteligente que doou a sua vida a causas tão nobres como o vinho, contra a adstringência da vida que teve. Tudo o contrário de mim. Somos gémeos, mas uma coisa que sempre odiei nele foi a extrema sensatez, coisa que, no limite, afecta as melhores qualidades de um vinho e de uma vida. E fui eu, por exemplo, quem lhe deu a ideia das Vinhas Velhas, no ano da graça de 1935. Fui eu quem lhe ofereceu o primeiro manual de enologia crítica, o primeiro compêndio de coragem para a vida, o primeiro impulso para que se tornasse assim, como hoje, infinito. Por isso, sem mim, o que seria dele? Nada, meus amigos. Um anjo, por si só, é incapaz da realidade de um vinho perfeito ou de assinar a sua própria obra. Por isso, sou eu, André Huppert, vagabundo literal, incendiário das horas mortas e aborrecidas, e não o meu irmão Hellis, quem recebe este prémio. A enologia é também uma ciência demoníaca. E eu trago o fogo para vos agradecer.”


Castas: Touriga Nacional, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Carvalha entre outras castas


Região: Dão, sub-região Serra da Estrela


Teor Alcoólico: 14% Vol


PVP: +/- 18€


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