• Nelson Moleiro

Les Héritiers du Comte Lafon - Les Maranches Mâcon-Uchizy 2014


Les Héritiers du Comte Lafon - Les Maranches Mâcon-Uchizy 2014

Chardonnay e Borgonha são sinónimo de grandeza histórica e qualidade de terroir traduzidos no produto final, o vinho. Obviamente, como em qualquer região vinícola mundial, há o fraco, mediano, bom e excelente. O muito bom em Borgonha é genericamente proibitivo em termos financeiros, os preços não se adequam aos bolsos do comum mortal, pelo que encontrar bom Chardonnay a preço simpático e cordato é um exercício satisfatório para a boca e para a carteira. Chablis é a sub-região que mais vou provando e com que me identifico, boas relações preço-qualidade, e onde prima a elegância e subtileza dos seus vinhos, mineralidade e profundidade de boca, e com alguns anos de guarda permitem-nos obter degustações sublimes. Em Chablis encontramos preços médios-altos nos produtores de renome, aqui não há volta a dar, Borgonha é sinal de nota choruda, mas também ainda existem bons negócios. Mas a Borgonha não encerra em Chablis, longe disso, existem regiões menos “nobres” que produzem vinhos de excelência. É o caso do Domaine Les Héritiers du Comte Lafon em Macônnais, produtor que me foi apresentado e introduzido pelo meu amigo "enobêbedo" João Craveiro Lopes, e que é para mim um best buy na Borgonha.

O Chardonnay Mâcon-Uchizy é um vinho regional da região de Mâcon produzido numa zona inserida na vila de Uchizy, é um dos diversos brancos que esta casa produz em sub-regiões borgonhesas menos conhecidas. Esta colheita de 2014 permite aceder no copo a um vinho já mais integrado e harmonioso, em que um vinho em bom estado de maturação na fruta integra na perfeição com a barrica usada, dando volume, profundidade e comprimento de boca. Um pouco mais expressivo no nariz do que os pares que arquivei na minha “playlist” cerebral, com algum floral e fruta de caroço madura, maçã e pêra. Na boca nota-se ligeiro apontamento de barrica em plano secundário, que especulo, mas também confirmo em prova, ter integrado com o tempo de garrafa. O carácter mineral, boa acidez, e expansão que alcança no palato corrigem qualquer indefinição na prova inicial, é um vinho que enriquece qualquer bom repasto gastronómico, salivante, texturizado e gordo, ideal para uma tábua de queijos bem variada nestes dias de Outono. Um Chardonnay borgonhês equilibrado em todas as suas valências é sempre imbatível.


O segredo? Nenhum, diria eu mesmo. Mas na realidade é tentarem abandonar as premissas da ditadura vínica nacional e procurarem aprender algo mais além, com alicerces em referências. Dá trabalho, custa dinheiro, mas se querem ter conhecimento válido, coerente, credível, não há outro caminho.


Castas: Chardonnay


Região: Maconnais, Borgonha


Teor Alcoólico: 13% Vol


PVP: +/- 23€


#VinhoBranco #Chardonnay #Borgonha #Maconnais





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