Adega Campolargo e Casa de Mogofores

10.01.2017

 

Em finais de Novembro, entramos naquele período que apelido de limbo, em que o Verão já passou e está longe, mas o Natal ainda mora a alguma distância. É aquela altura de lusco-fusco ideal para uma escapadinha. E desta vez, aqui o charal, amante de vinhos e novas descobertas, procurou algo de novo, e daí surgiu a ideia da Bairrada, uma zona vinícola ainda pouco explorada por mim. Opá, e o burro sou eu??? Bebida e comida do melhor, oh oh, chuta para canto Pacheco!

E assim foi, rumámos a terras de espumantes e bons vinhos, e do famoso Leitãozinho da Bairrada. Quanto a estas maravilhas, remeto-me a falar delas num futuro próximo, e vou focar-me na visita à Adega Campolargo e estadia na Casa de Mogofores, turismo de habitação pertencente à família Campolargo. Tudo situado na zona centro do país, nos arredores de Anadia.

 

Casa de Mogofores

 

É uma casa com história, que nos remete ao século XIX, numa altura conturbada de revoltas políticas e liberais. Quem me conhece, sabe que habitualmente dou privilégio a espaços vanguardistas e modernos, mas estes locais históricos, tradicionais, e repletos de saberes, encantam-me profundamente, tornando-se um local perfeitamente enquadrado com o intuito de visita e enoturismo que pretendia.

 

Quem nos recebeu numa sexta-feira tempestuosa, foi a amável e cordial dona Maria Glória Campolargo, proprietária e gerente desta Casa de Mogofores. A casa possui quartos/suites no edifício principal, e apartamentos que se desenvolvem por dois pisos, numa casa anexa, tudo decorado com mobiliário antigo, de apontamentos sóbrios e acolhedores, num espírito perfeitamente familiar. Foi num desses apartamentos que ficámos, e de facto, chegar e acender uma salamandra numa sala do "antigamente" é definitivamente acolhedor e reconfortante. O conceito de turismo na Casa de Mogofores é mesmo esse, descontracção e carisma familiar, adorei a disponibilidade e prontidão que a dona Glória mostrou logo à chegada, de forma a sentirmo-mos bem e confortáveis. E sim, sentimo-nos em casa, em ambiente totalmente intimista.

 

 

 

 

 

 

 

A Casa possui um restaurante que abre ocasionalmente e por marcação para grupos, mas a nossa experiência de estadia foi exclusivamente pequenos-almoços. E o que tenho a dizer? Amámos! Desde o enquadramento geral do espaço físico, ao serviço de carácter tradicional e senhorial, tudo me agradou. Faz-nos sentir recuar no tempo e imaginar como seria a vida e quotidiano nestas casas burguesas de outras eras. Só tenho a pedir desculpa à dona Glória pelo possível desbaste em tudo o que nos serviu, ups! Tenho muito apreço pelo seu gosto, aprumo e dedicação pessoal que emprega em tudo o que faz, está de parabéns!

 

Quanto ao espaço envolvente da casa, ou seja, os jardins e bosque, ou mesmo a piscina interior, camuflados com as folhas caducas de Outono, dão um ar místico à Casa, e permitem imaginar a beleza que este local terá em épocas de Primavera e Verão. Sem dúvida, um excelente local e uma óptima escolha para quem gosta de conjugar Enoturimo e Turismo de Habitação.

 

 

  

 

 

 

  

 

Adega Campolargo - Quinta de São Mateus

 

A uns meros 2 km de distância da Casa de Mogofores, a família Campolargo possui a Quinta de São Mateus, onde está situada a Adega Campolargo, e onde são produzidos os seus vinhos. As uvas são provenientes de vinhas próprias e seus vinhos elaborados exclusivamente por processos naturais e tradicionais. Nunca, ou raramente, referencio nomes neste âmbito, mas desta vez não poderia deixar de referir e elogiar o trabalho da senhora que teve o profissionalismo e paciência de conduzir uma visita tão completa, de seu nome, Cristiana. Apresentou-se como uma das analistas químicas da Casa Campolargo, e além de uma explicação detalhada de todo o processo decorrente dentro de portas, desde a vinha até à garrafa, explicou e elucidou uma panóplia de pormenores e detalhes do mundo vínico em geral, que para quem desconhece e pretende saber um pouco mais, enaltece este aspecto educativo da visita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É uma experiência muitíssimo interessante e enriquecedora, onde tomamos conhecimento dos procedimentos que decorrem nas vinhas ao longo de todo o ano até ao ciclo final, a vindima, as análises que se vão fazendo à uvas em termos de qualidade e doenças, e as razões porque certos vinhos poderão ter estas ou aquelas características, de acordo com as castas presentes, qualidade da uva, condições climatéricas, ou até por artimanhas enológicas. De referir, que todos os vinhos Campolargo possuem certificação interna e externa, o que talvez não aconteça muito por aí fora. Os produtos enológicos adicionados são os estritamente essenciais, já que nesta adega, dá-se inteiramente privilégio ao processo natural e tradicional, e todos nós agradecemos.

 

Gostei também muito de contactar in loco com o processo de fabrico dos espumantes, como se fazem, como decorre o processo tradicional "Champenoise" de segunda fermentação com leveduras, como se estagia, ou como se processa o "degorgement" antes do engarrafamento. Uma coisa é ler e ouvir falar, outra é ver na realidade. E uma curiosidade, sabem que nome dão à rolha com aquela forma tão famosa que salta da garrafa de um espumante? Chama-se Marisa! Já sabem, sempre que fizerem "plooofff" a uma garrafa de espumante, lá vai a Marisa doida pelos ares!

 

É um edifício construído em altura, de forma racional e íntegra, com vários pisos e respeitando a lógica da gravidade, optimizando desta maneira todo o processo desde a entrada das uvas na adega até ao produto final engarrafado. A Bairrada em termos vinícolas tem muitas castas plantadas, e a Campolargo não foge à regra, dezenas de castas tintas e brancas, nacionais e estrangeiras, que isoladas ou em conjugação em variadíssimos blends, originam vinhos nacionais únicos e distintos, num terroir específico e único, onde a Baga é a casta rainha. Um muito obrigado à Cristiana por todos os esclarecimentos prestados, sei que as dúvidas e perguntas foram muitas para um sábado de manhã, e a parte técnica e analítica dos vinhos também mereceu um pouco mais de atenção da minha parte, já que é uma área que me diz algo, e que acho muito importante na avaliação dos bons ou maus vinhos que bebemos. As propriedades organolépticas são importantes e sempre presentes quando provamos os vinhos, mas falíveis no ser humano.

 

 

 

Os Vinhos e Vinhas Campolargo

 

São imensos os vinhos da Casa Campolargo, desde tintos, brancos, rosés e espumantes. São 170 hectares de vinhas próprias distribuídas por duas quintas, Quinta de São Mateus e Quinta de Vale de Azar. Ficam aqui as castas principais existentes nas vinhas Campolargo, só para vos assustar um bocadinho.

 

Arinto

Cercial

Chardonnay

Sauvignon Blanc

Bical

Verdelho

Viognier

 

Cabernet Sauvignon

Pinot Noir

Trincadeira

Alfrocheiro

Alicante

Sousão

Baga

Petit Verdot

Tinto Cão

Tinta Roriz

Tinta Pinheira

Merlot

Castelão Nacional

Touriga Nacional

Syrah

Tinta Barroca

Bastardo

 

Através das recomendações e dicas dadas na visita, acabei por trazer para casa dois tintos e dois brancos (Calda Bordaleza, Rol de Coisas Antigas, Campolargo Arinto e Diga? Branco).

 

Fotos retiradas da página oficial da Campolargo Vinhos

 

 

A região vinícola da Bairrada é interessante e merecedora de visita. Os seus vinhos, sempre misteriosos e diferentes, e para quem conhece pouco como eu, acumula uns pontos extra no cardápio vinícola. Toda a vertente de Enoturismo é tida em conta pela família Campolargo, com o excelente e marcante turismo de habitação da Casa Mogofores, aliada à visita à sua Adega na Quinta de São Mateus. Numa próxima publicação recomendarei alguns locais onde comer e petiscar por terras de Anadia.

Um especial obrigado à Maria Glória Campolargo pela hospitalidade, à Cristiana pela espectacular visita guiada num formato de workshop detalhado, e a toda a equipa da Casa Campolargo. Um brinde e muito sucesso!

 

 

  

 

 

Rua Nossa Senhora Auxiliadora, nº 18
3780-453 Mogofores
Portugal

E: geral@casademogofores.com

T: +351 231 512 448

M: +351 968 902 501

GPS: N 40º 27' 2'', W 8º 27' 39''

 

 

 

Quinta de S. Mateus
3780- 180 S. Mateus
S. Lourenço do Bairro - Anadia
Portugal

E: geral@campolargovinhos.com

T: +351 231 519 000

GPS: N 40°26'53.37", W 8°29'20.50"

 

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DICAS DE VINHOS BOA COMPRA!

#1 

Muxagat Os Xistos Altos Rabigato 2014

Douro (Branco)

 

#2

Primus 2015

Dão (Branco)

 

#3

Quinta da Pellada Estágio Prolongado 2011

Dão (Tinto)

#4

Dão A Centenária 2015

Dão (Tinto)

#5

Luís Pato Vinhas Velhas 2017

Beira Atlântico (Branco)

#6

Em Cru 2017

Dão (Branco)

#7

António Madeira Colheita 2016

Dão (Tinto)

#8

Argau Cuvée Bruto

Beira Atlântico (Espumante)

#9

Quinta da Serradinha Encruzado e Arinto 2016

Encostas d'Aire / Lisboa (Branco)

#10

Conciso 2014

Dão (Branco)

Actualizado em Junho de 2019

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