Vinho Madeira Barbeito Seco. Do copo ao prato.

31.01.2017

 

Hoje proponho-me falar de algo que está fora do meu radar de conhecimento nos vinhos, mas que tenho vindo a descobrir e valorizar progressivamente. Falo do Vinho da Madeira, talvez dos vinhos mais aclamados e reconhecidos de sempre, dos mais antigos do Mundo, com mais de 500 anos de História. E tenho vindo a valorizar porque encontrei nestes vinhos, sabores e aromas que prezo muito: acidez viva, aromas balsâmicos e exóticos, e finais longos, frescos e salinos. Pode ser baboseira minha, mas é algo que gosto nestas pomadas, se bem que alguns deles, os mais sábios e antigos, passavam-me bem por Tawnys de 10, 20 ou 30 anos. Talvez a acidez seja o elemento que mais singulariza o Madeira. Aliás, aqui o nosso povo tuga não é muito dado a acidez, é tudo mais para o doce, daí que sempre foi lá fora que o Madeira reinou, e mais de 3/4 da sua produção destina-se ao mercado externo (Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão, etc...). Os vinhos mais exclusivos, os Garrafeira, ou Frasqueira como lhe chamam, sempre estiveram presentes nas Côrtes-Reais internacionais, e muitos eram os líderes mundiais que não dispensavam o Madeira à mesa numa celebração especial.

 

 

 

Eu, ignorante no assunto, sempre ouvi falar deste vinho, digamos na sua versão mais comercial, e no contexto gastronómico de alta cozinha, os ditos Masterchefs​. Mas isto sempre além fronteiras, o que me surpreende e intriga, já que a gastronomia nacional não dá destaque ao Vinho da Madeira, um ingrediente precioso. É uma verdadeira pena a meu ver, pois a acidez e frescura do Madeira, transmite um sabor único aos cozinhados, principalmente mediante as famosas reduções em Vinho da Madeira. E é isso que vos trago desta vez, uma proposta para usarmos Vinho da Madeira à nossa mesa, do copo ao prato. No copo, porque enquanto se cozinha é um bom aperitivo, servido ligeiramente refrescado, e no prato, pois usámos a redução de Barbeito Seco de Tinta Negra na confecção de peitos de frango com cogumelos, um vinho obtido por processo de estufagem, e classificado como Madeira de qualidade e gama inferior.

 

Por hoje falarei somente deste magnífico vinho, mas ainda durante esta semana mostraremos o resultado final e falaremos desta proposta gastronómica associada ao Vinho da Madeira, desenvolvida pela Sofia Fernandes, Sophie's Secrets.

 

Estejam atentos!

 

Peito de Frango e Cogumelos

numa redução de Vinho da Madeira

 

 

O Vinho da Madeira, no que consiste?

 

De uma forma leve, genérica e simplista, as fermentações das várias castas mais conhecidas e autorizadas na elaboração do Vinho da Madeira (Malvasia, Boal, Verdelho, Sercial, Terrantez, Bastardo, Tinta Negra, entre outras), são efectuadas em lagares de cimento ou inox, e a fortificação com álcool vínico 96º vol, feita segundo o nível de doçura pretendido (seco, meio-seco, meio-doce, doce). Depois segue-se o processo de Estufagem (para os vinhos comerciais de menor interesse, como o aqui apresentado), e o Canteiro, para os famosos e primorosos Garrafeira, vinhos que se desenvolvem e ganham carisma ao longo de décadas, estando no ponto para as gerações vindouras degustarem. São alguns destes vinhos que anseio passar as beiças no futuro, os Madeira 20, 30 e 40 anos, elaborados a partir de uma única casta de uva.

 

 

Estufagem

 

Este processo surgiu impulsionado pelo "Vinho da Volta", ou "Vinho da Roda" como lhe chamavam também, em que os vinhos transportados nas rotas das Índias e Caraíbas, com o calor tropical e agitação marítima, ganhavam complexidade e qualidade. Criou-se então um processo artificial relativamente barato, ainda hoje usado para os vinhos de qualidade menor, em que o vinho é colocado em estufas de aço inox por determinado tempo, aquecidas por sistema controlado de água quente com temperaturas a rondar os 50ºC.

 

Canteiro

 

É daqui que saem os verdadeiros Madeira, os Garrafeira, aqueles que ansiamos beber. Dá-se o nome de Canteiro ao conjunto de traves de madeira que servem de suporte às pipas onde estagia e envelhece o vinho. Normalmente é um armazém de vários pisos, 3 ou 4, onde nos pisos superiores estão os vinhos mais jovens de forma a terem maior contacto com calor, e à medida que vão envelhecendo vão descendo progressivamente para os pisos inferiores, onde estão guardados os grandes vinhos de Garrafeira, de colheita ou datados.

Barbeito 3 Anos Seco

 

 

 

 

 

Região: Madeira D.O.P

Castas: Tinta Negra

Álcool: 19% Vol.

Baumé: 0,5

 

Vinificação e Estágio: Uvas provenientes de vinhas da área do Estreito de Câmara de Lobos e São Vicente, prensadas em prensa pneumática e com interrupção da fermentação pela adição de álcool vínico a 96% Vol. Elaboração pelo processo de estufagem com posterior estágio de 3 anos em pipas de carvalho antes do engarrafamento.

 

Serviço: Ligeiramente refrescado, e tendo sido filtrado, não necessita de decantação e aguenta vários meses depois da abertura.

 

Notas de Prova: Cor âmbar, no nariz aromas frescos de frutas caramelizadas, poucos tostados como era de esperar, na boca excelente acidez, suave, mas ligeiramente meloso e seco. Bom para aperitivo e para o que vos der na telha!

 

PVP: entre 9 e 10€

 

Apreciem, cheers! 

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DICAS DE VINHOS BOA COMPRA!

#1 

Muxagat Os Xistos Altos Rabigato 2014

Douro (Branco)

 

#2

Primus 2015

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#3

Quinta da Pellada Estágio Prolongado 2011

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#4

Dão A Centenária 2015

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#5

Luís Pato Vinhas Velhas 2017

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Em Cru 2017

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Argau Cuvée Bruto

Beira Atlântico (Espumante)

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Quinta da Serradinha Encruzado e Arinto 2016

Encostas d'Aire / Lisboa (Branco)

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Actualizado em Junho de 2019

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